Contextualizando o PALATO

Screenshot from 2013-03-22 15:01:51
O projecto que aqui se apresenta, resulta de uma série de experiências artísticas que venho desenvolvendo em torno da culinária e do mundo digital. Se por um lado me interessa explorar diversas fórmulas de aproximação aos ambiente digitais, tirando partido da comunicação que a redes sociais possibilitam, por outro, interessa também capitalizar o universo físico e a imaterialidade da cultura que se reflecte num espaço de encontro que me leva a tentar cruzar a minha experiência enquanto artista, com o percurso de investigadores nas suas diversas áreas (História, Arqueologia, Geografa, etc..).

Existe aqui uma confluência de pensamento, onda a partilha de informção permite uma reconfiguração do saber, ancorado sobre sinergias horizontais que potenciam a criação artística e científica em rede.

Em Setembro de 2010, a convite da Direcção Regional de Cultura do Algarve, desloquei-me às ruínas romanas de Milreu, onde desenvolvi uma acção performativa na qual optei por explorar uma abordagem à culinária do período romano em cruzamento com a experiência gastronómica actual.

Já numa outra situação, a convite do Museu Municipal de Portimão, desenvolvi uma pequena actividade inserida no contexto da pré-história nos monumentos megalíticos de Alcalar, onde cozinhei Pão Ázimo.

Estas duas experiências, permitiram-me por um lado despertar o interesse neste cruzamento entre acção performativa e património arqueológico, e por outro, perceber que estes espaços são uma fonte de riqueza, não só no seu contexto histórico e sua ligação à gastronomia, como também pelas suas envolventes únicas que permitem desenvolver experiências artísticas inovadoras com base no que a paisagem e sua cartografia nos sugere.

É neste caminho que me encontro e o PALATO que agora se inicia reflecte essa postura, pelo que permite que outros se juntem e usem este como um espaço de confluência onde a rede criada no mundo digital é antes um ponto de partida e não de chegada.

2 Comments

  1. Estamos -a Elena e eu, cada um de nós na sua vertente mais específica, i.e. histórica (ela) e museística (eu)- a desenvolver estudos sobre os processos de aprovisionamento / conservação e armazenamento / confeção e produção / consumo e partilha nas sociedades do 3.º milénio antes da era cristã no extremo Sudoeste peninsular. Para mim, foi muito estimulante a assistência ao seminário sobre dieta mediterrrânica, em Gambelas, na sexta-feira passada. Cheguei lá a modos que com duas pedras na mão, naquela de «se eles querem dieta mediterrânica eu cá sou pela dieta atlântica», com os meus pastelinhos de bacalhau, vinho verde e ananás à sobremesa, e acabei por ficar estimulado com duas intervenções: a do Cláudio Torres, pela provocação e decorrente necessidade de o contra argumentar de um modo inteligente (combinei ir almoçar com ele a Mértola) e a da Maria Manuel Valagão, pelo saber e estímulo -«a forma mais eficaz de garantir o plano de sustentabilidade da dieta mediterrânica são as avós e os ‘chefs’», i.e. tradição e inovação. Há um vasto vampo de pesquisa para nós, pré-historiadores, a partir dos dados empíricos da arqueozoologia -o estudo de Alcalar está feito pelo Riquelme- e da paleoetnobotânica. O Palato vai ser ótimo para cruzar saberes e experiências. Obrigado Jorge, pela tua perseverança e visão inovadora, por dares sentido social às nossas pesquisas e por seres um estímulo para investigar, e investigar e investigar.

  2. Obrigado Rui. Também gostaria de ter ido a esse seminário mas foi-me impossível. Entretanto este site ainda que em versão beta poderá potenciar tudo isso de que falas. Encontros, cruzamento de saber, concordância e discordância. Podes chamar o Cláudio Torres e a Maria Manuel Valagão a se juntarem a esta mesa 🙂

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