Edição Cozinhando na Paisagem 2015 terminou na Ermida de Nossa Senhora de Guadalupe

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Nesta sessão de encerramento do Cozinhando na Paisagem realizada no interior da Ermida de Nossa Senhora da Guadalupe, o público que atingiu as 92 pessoas, encontrava-se disposto de frente para a porta de entrada – uma perspectiva geralmente privilegiada a quem dirige os rituais religiosos. Assim a vista incidia no caminho que conduz à Ermida, o qual foi percorrido pelo Infante Dom Henrique que terá escolhido esta zona para o seu auto exílio e últimos anos de vida. Na visita guiada que antecedeu a sessão gastronómica, Manuel Ramos e Rui Parreira, os investigadores convidados, explicaram e introduziram os dados históricos que contextualizam este local de culto, que oscila entre o religioso e o profano, dicotomia visível em pequenos detalhes no interior do espaço – com a particularidade da figura central ser a virgem negra de N. Sra. de Guadalupe.
Os ingredientes estavam harmoniosamente dispostos sobre a mesa, esperando que as mãos do artista Jorge Rocha dessem inicio à performance, motivada tanto pela inspiração como pelo conhecimento das origens, dos sabores, dos cheiros e das texturas – a gastronomia é uma arte, arte de dar a comer, arte de partilhar prazer, arte de ritualizar aquilo que a todos é comum – o alimento, o sustento.
Foi feita a sopa – Tomate, o mais mediterrânico dos frutos mas que insiste andar sempre com os legumes. Foi cozinhado o Frango, dividido em dois – com redução de manteiga de Amendoim, outro acompanhado por Marmelos – feito na Tagine. Foi feita a salada com o Abacate e o Trigo. Foi elaborada uma Cachupa – chamada de pobre por ter pouca carne, apenas para dar o sabor. Estão a ver o que dá os cruzamentos? O cheiro que invadia o local trazia histórias e memórias vindas de origens remotas, cujo colorido oferecia um contraste com o cinzento que espreitava lá fora e que enquadrava a bela paisagem.

Ao longo das 8 sessões do Cozinhando na Paisagem, realizadas em 2015, foi possível traçar uma visão do quanto a História se cruza intrinsecamente nos hábitos mais quotidianos de uma determinada comunidade.
Juntando conhecimentos científicos das áreas de investigação em Arqueologia, Património, História e História de Arte, Museologia, Botânica etc, com as dietas e hábitos alimentares integrados ao longo do tempo consegue-se enquadrar o quanto o cruzamento histórico-cultural enriquece e multiplica a diversidade dos “encantos” gastronómicos: modos de usar os recursos disponíveis nas regiões e/ou integrar novos ingredientes e fórmulas trazidas pelos povos que se cruzaram no território, fossem eles árabes, romanos, celtas ou pré-históricos assim como trazer vindos de além mar, todas as potencialidades abertas pela época dos Descobrimentos Portugueses cujas influências se estendem até aos dias de hoje.
Foi assim que, passando por Fortaleza de Sagres; Castelo de Tavira; Abrigo Paleolítico de Vale de Boi, Município de Vila do Bispo; Castelo de Salir, Município de Loulé; Monte Molião, Município de Lagos; Mosteiro de Santa Maria de Flor de Rosa, Município de Crato; Mercados de Olhão e finalmente na Ermida N. Sra. de Guadalupe, Município de Vila do Bispo se realizou esta viagem intemporal, com o paladar como guia. Os agradecimentos seriam muitos e longos. Por isso aqui fica um muito Obrigado a todos os que ajudaram e contribuíram para a realização deste projecto e a todos os que assistiram e acompanharam esta viagem gastronómica.

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